Para dores de cabeça uma dose de droga controlada. A gente encontra esperança em cada lugar...
Para que essa dor passe é necessário, as vezes, trair o estômago. Aí a preocupação deixa de ser a cabeça e passa a ser o estômago, que aceita toda sorte de coisas só pra ver a cabeça não fundir, não parar, só pra não vê-la sofrer. Talvez seja carma do estômago, daqueles escrito nas estrelas. Talvez sua função social no mundo seja acolher pra não causa dor ao outro, pra depois sentir o peso de ser Abraço, de ser cura, de ser casa. Há esperança em paracetamol, omeprazol, benegripe.
Há esperança também em ser casa, em ser abrigo, em ser colo.
Algumas pessoas são como o estômago (que me perdoem os amantes de boa e velha poesia original...mas hoje toda analogia se reflete no estômago, mais especificamente no meu estômago.
E é de estômago que a prosa hoje é feita. ..),
Essas pessoas tem a função de acolher corações despedaçados, pulmões em crise, braços e pernas cansados da carga do dia, oferecendo casa pro remédio que se escolheu tomar, pras escolhas, caminhos, decisões tomadas no susto ou pensadas com cautela. Essas pessoas tem em si o dom natural de espalhar a esperança por aí, por aqui e acolá. Elas mesmas oferecem o antídoto a toda idiotice do mundo, a toda crueldade das pessoas, a toda falta de amor. Aí, quando a visita sai, quando a janela fecha, quando a conversa acaba, é hora de ver refletida em si mesma toda dor do outro. E também é hora de sofrer, sem que ninguém lhe ofereça um paracetamol. ..
Pessoas que se parecem com estômago são curingas soltos no grande jogo de baralho. A esperança que um Curinga oferece é como a luz do sol em dia frio, que aquece, que oferece vitamina C, que acalma nossa loucura.
Pra onde o sol vai quando já cumpriu sua missão com a gente? Acho que vai pensar em tudo que recebeu, em toda troca de energia.
Sol é Curinga.
Estômago é Curinga.
Esperança é Curinga.
E a cabeça? A cabeça é o que precisa de esperança, de paracetamol, de vitamina C e de amigos pra ser tudo isso junto.
Que sorte a minha! Há esperança!