quinta-feira, 4 de abril de 2019

O que é não

Não entendi a mensagem na garrafa
Tampouco compreendi sua jornada
Até mim. Até aqui
Não sei a que veio
Nem fiz por onde para entender
Tenho agora uma garrafa e um oceano
De dúvida e desordem

O apego ao objeto é fuga
Fugi dos teus braços
Enrosquei no seu caos
Do laço fiz nó
De nós, quis cais
De mim, busquei liberdade
De ti, a contradição
Garrafa, oceano, dúvida

Não fiz por onde
Nem entendi
Nem quis cais
Nem a ti

Contradição

domingo, 31 de março de 2019

Reconstrução

Fiquei só com as minhas palavras.
Fiquei só.
Andei só. Ando só.
Com o abandono de um Frankenstein
Com a solidão do Prometeu Moderno
Com a consciência viva e crua de Shelley

Procurei pedaços que ainda havia
Resultado de uma desconstrução daqui de dentro
Agarrei-me aquilo que faz sentido
E o sentido é a solidão
É o abandono de mim
Abandonei-me na desconstrução

Ando a costurar pedaços que ainda sobram
Com a agulha cruel da realidade
Com a linha tênue do amor próprio
No rastreio da minha figura
A negação do Monstro
A fabricação da realidade
O alinhavar do reencontro

Esperei por mim. Talvez dias. Talvez anos
Na esperança da reconstrução
Linha, agulha, fragmentos
Me despeço agora do Monstro
Crio aqui o eu em pedaços.

sexta-feira, 16 de novembro de 2018

Espera

Já decorei os teus sinais

E sei também dos teus motivos 
São as entrelinhas que desconheço  
E elas incomodam
Como areia nos olhos em dia de praia
Eu, continente. Tu, insular

Os caminhos que levam não são os mesmos

Mas nos encontramos na embarcação 

Na tela que une. No busão que atrasa

Na chave do encontro improvisado 
Nas terras distantes. Mares profundos 
Cores, imagens, gostos

Encontramo-nos aqui

Eu, na terra. Tu, na ilha
Eu, sintonia do teu reflexo
Tu, produto perfeito do cálculo improvável 


No nós, a espera por sinais

Sina desconexa 

Realidade virtual ampliada
Que faz eco no baú dos sonhos 

Aqui, o longe

Aí, o toque 
Logo, a matemática do encontro
Agora, a poesia da espera 


terça-feira, 31 de julho de 2018

Caleidoscópio

Da luz que vem dos olhos
O reflexo de um espelho inclinado que sou
Aceito o movimento das sombras coloridas 
O efeito perturbador das várias variáveis 
Desse caleidoscópio que é você

Danço nas entrelinhas das palavras
Danço na luz invertida que chega até meu olhos
Minhas torres de vigia não sabem se é farol ou se reflexo de uma Supernova distante

No horizonte do seu Universo vivo, em expansão
Tudo que sai daí é movimento aqui
Amplificado, transitório, colonizador 
Dominou o espaço nativo 
Fez do que há aqui parte do que sai daí 

Caleidoscópio de formas heterogêneas 
Regido por astros
Guiado pela numerologia do Universo 
Que fez do espelho que há em mim
Reflexo de luzes dissonantes
De acordes distorcidos
De sombras dançantes 

Brotou um Universo alado nesse céu de Ícaro 
Brotou toques. Sentiu a pele. Fez sentir 
E o meu querer das luzes, da dança, das flores, do toque
Se eterniza aqui. Nessas linhas. Nessa Lua
Nesse Universo. Nessa vida.

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

E, então, choveu.

Foram dias quentes esses últimos.
A letargia tomou conta de mim. Todo mundo sabe (pelo menos todo mundo que faz parte do meu pequeno mundo) que eu sofro com altas temperaturas. Todo tipo de vontade some nesses dias quentes.
Os últimos dias foram quentes. De pausas. De ventilador ligado espalhando o ar morno da rotina. Quando o sentido é sempre pro Norte, a mesmice toma conta do ambiente. A mesma coisa se o único rumo for o Sul. Gosto de rumos diferentes - para ventiladores, transportes e pessoas.
Parei e observei nesses últimos dias.
Observei pessoas de bicicleta.
Observei pessoas em aventuras surreais por mundos diferentes.
Observei o gato brincar na terra e depois, todo vermelho dela, deitar na minha cama.
Observei a grande rede da internet servir de palco para aplausos de entusiasmo por causa de vidas sociais agitadas.
Observei a mim. Meus costumes. Meus gestos. Meu corpo. Meu jeito de cozinhar. Os meus que a mim pertencem.

E, então, choveu.

E tem chovido quase que sem parar durante esses últimos três dias.
Um vendaval passou pelo meu quintal. Havia folhas das árvores da rua de cima. Sonhei, durante essa noite, que minha mãe passou por aqui pra varrer o quintal. Preciso contar isso pra ela, junto com a verdade de que não varri e não varrerei esse quintal por esses dias.
Gosto de desordem também.
A felicidade pelo chuva foi tamanha que eu esqueci que o vento quase me levou junto com a casa.
Um cheiro de terra molhada, de vento sem rumo certo, de novidades invadiu a minha sala. E eu não puder ser a mesma.
Não posso ser.
Aquela pessoa que morava dentro mim deixou um espaço vazio enorme quando, durante a noite, sorrateiramente, resolveu partir. Esse espaço estava incomodando. Casa vazia, mente vazia.
E, então, a felicidade da chuva ocupou o espaço vazio.
E eu senti o cheiro de boas novas. Eu senti o vento invadir a casa daqui de dentro.

E, então, choveu.

Edit: Sirius na porta da minha sala.
Ele observa a chuva. Adora ver água em movimento.
Eu adoro vê-lo assim!



sábado, 8 de outubro de 2016

Feira na sexta feira

Precisamos falar de São Paulo.

Nota de esclarecimento -

Três anos aqui - como não fiz isso antes? Talvez nunca tenha me rendido à grandeza dessa cidade. Na véspera da partida - outra mudança,  velha /nova Londrina - tudo aqui parece maior, mais colorido, mais cinza, mais intenso, mais cheio de vida. E agora, pra mim, tornou-se urgente e preciso escrever sobre a "cidade do mundo inteiro." A "cidade do fim do mundo."
Cheguei aqui como Caetano - "quando aqui eu cheguei, eu nada entendi.."
Agora deu pra sacar um pouco do que essa metrópole gigante representa pro mundo, pro Brasil, o que representa pra mim...
E, por falar em representação, a proposta é a seguinte: escrever sobre os lugares que significam pra mim ; lugares que ressignificaram algumas coisas em minha vida; aqueles lugares (talvez) fora do trecho turístico.
É uma maneira de entender e eternizar.
"Alguma coisa acontece no meu coração...." (Caetano)

Muito que bem!

Vamos falar sobre feiras.

Paulista tem uma relação interessante com as feiras. A cidade do moderno se confunde com a tradição das feiras. Em cada bairro tem um dia que é da feira.
Como boa Paranaense, tenho fascínio por feiras. Não que seja uma característica de paranaense...trago esse gosto na vida por causa da minha vó e nossas idas à feira de segunda da Vila Casoni. Londrina também gosta de feira.

No bairro onde moro tem feira na sexta. Confesso que fico esperando a sexta chegar pra ir à feira.
O bairro é antigo, de gente antiga com casas modernas, de ruas boas pra correr, de mercados imensamente caros e gourmets.
Mas ainda é um bairro bom.
As ruas pra corrida e a feira são,  pra mim, encantadoras!

A feira é caminho da corrida. Na volta, entro nela. O primeiro cheiro que vem é o de pastel. E a galera em volta da barraca tem sacolas na mão - frutas, verduras, peixes, DVDs, coisas de maquiagens e utensílios domésticos. Mas tem também quem saia de sua casa na sexta apenas pra comer pastel de café da manhã ou almoço. Confesso que, as vezes, pertenço à esse segundo grupo. O cheiro de óleo queimado parece atrair a todos que por ali passam.

Logo depois do pastel, vem as 3 barracas que vendem banana. Juro que ainda não entendi a relação do Paulista com a banana e com a carambola. Parece paixão ancestral.
Tudo tem banana. Desde a torta, passando pela pizza e pelo pastel. Além de pratos de almoço e jantar com banana. Sem contar os enfeites de casa com motivos de banana. Não sei, mas o amarelo deve significar muito pro Paulista. Uma das maiores linhas do transporte público é  amarela. E os terminais de integração das linhas,  advinha? Amarelo! Há beleza no amarelo!

Seguindo as curvas da rua que serpenteia, encontro barracas de frutas e verduras diversas, intercaladas entre o comércio de temperos, laços de cabelo, filmes que, segundo o vendedor, "nem saíram no cinema!", utensílios de casa e papelaria. Sim, papelaria! Por que não?

E os cheiros de laranja, manga,  alho, orégano dançam nas curvas da rua. E embriagam todos os sentidos. A feira é intensidade. Cor. Luz do sol. Cheiro forte.
Tudo isso mistura-se com a curiosidade, com o toque, com o gosto.

Chegando no fim da feira, tem a barraca do peixe. Mas não vende só peixe. Tem focinho de porco, por exemplo,  caso o cliente queira fazer uma feijoada. Não sou fã nem do porco e nem da feijoada, mas é interessante ver as senhoras escolhendo que focinho é melhor.
Nessa parte da feira, o final, meus sentidos já enlouqueceram com todos os cheiros. E o cheiro do peixe não é lá tão agradável pra mim...

No caminho de volta, sempre penso no sentido da feira pra mim. Deve haver alguma coisa ali que me faz feliz. Deve haver também muita coisa em cada feira, em cada bairro, que ainda mantém o Paulista ali, toda semana, todo dia.

Todo mundo deveria, uma vez na vida, visitar uma feira em São Paulo.
Entre cheiros, amarelos e colheres s pau, a vida acontece na feira.
No meu caso, toda sexta feira é de feira.

Preciso falar mais sobre São Paulo...

domingo, 11 de setembro de 2016

Com carinho, amor e outras tantas coisas..

Desse jeito vc vai longe, menina!

Estive presente na construção dessa nova fase. De madrugada, com o tec tec  do notebook, nas tardes de sábado com os geógrafos e suas ideias, nas manhãs de domingo com o café que segurou os relatórios de estágio e o seu consciente querendo "picar o pé em tudo aquilo."

O valor das coisas somos nós que colocamos.

Ontem, emocionada, revivi todos os momentos dessa sua jornada. E revivi também todos os outros momentos que ninguém viu, só a gente. E como a gente soube criar cada momento!
Além de orgulho, amor define tudo isso!
Além de carinho, admiração define tudo isso!
Além de companheirismo, gratidão define tudo isso!

Sou imensamente grata por me deixar fazer parte desse universo particular! Pude ver do meu quintal toda sua trajetória. Sofri junto, chorei junto, dei muita risada junto. E cada grande momento me fez mudar um pouco mais. Me fez crescer um pouco mais. Me fez te admirar ainda mais...!
E sou grata também por todas aquelas outras coisas que só a gente viu, que sentimos em dupla, no plural...porque o amor é plural, o carinho é plural, a parceria é à duas! Mas a admiração, essa que eu sinto , é só sua. É daquelas que tem forma única, que cresceu por vc e pra vc...essa é só sua!

Durante essas seis primaveras nós aprendemos muito. Crescemos,  amadurecemos, endurecemos (mas sem perder a ternura..), corremos, ficamos, desistimos...e, diante de tudo isso, eu não sinto nada além de gratidão!
Obrigada por me ajudar a ser quem eu sou hoje...e obrigada por todas essas flores que pudemos plantar nesse jardim que, durante esse tempo todo, foi nossa casa, nossas coisas, nosso universo particular de duas!

O meu desejo hoje é que as portas se abram pra ti! E que a vida seja ótima, que se torne um vicio, que invada todos os seus sentidos!

Desse jeito vc vai longe, menina! E eu sempre vou estar por perto pra poder aplaudir, pra ficar emocionada, pra te abraçar e dizer que vc merece!

E  como vc merece!

Com amor, carinho e outras tantas coisas, deixo aqui toda minha admiração! Parabéns por mais essa conquista!
To esperando a próxima!

"O amor que eu tenho por vc é seu..."

Salve a Geografia!
Fora Temer!