Foram dias quentes esses últimos.
A letargia tomou conta de mim. Todo mundo sabe (pelo menos todo mundo que faz parte do meu pequeno mundo) que eu sofro com altas temperaturas. Todo tipo de vontade some nesses dias quentes.
Os últimos dias foram quentes. De pausas. De ventilador ligado espalhando o ar morno da rotina. Quando o sentido é sempre pro Norte, a mesmice toma conta do ambiente. A mesma coisa se o único rumo for o Sul. Gosto de rumos diferentes - para ventiladores, transportes e pessoas.
Parei e observei nesses últimos dias.
Observei pessoas de bicicleta.
Observei pessoas em aventuras surreais por mundos diferentes.
Observei o gato brincar na terra e depois, todo vermelho dela, deitar na minha cama.
Observei a grande rede da internet servir de palco para aplausos de entusiasmo por causa de vidas sociais agitadas.
Observei a mim. Meus costumes. Meus gestos. Meu corpo. Meu jeito de cozinhar. Os meus que a mim pertencem.
E, então, choveu.
E tem chovido quase que sem parar durante esses últimos três dias.
Um vendaval passou pelo meu quintal. Havia folhas das árvores da rua de cima. Sonhei, durante essa noite, que minha mãe passou por aqui pra varrer o quintal. Preciso contar isso pra ela, junto com a verdade de que não varri e não varrerei esse quintal por esses dias.
Gosto de desordem também.
A felicidade pelo chuva foi tamanha que eu esqueci que o vento quase me levou junto com a casa.
Um cheiro de terra molhada, de vento sem rumo certo, de novidades invadiu a minha sala. E eu não puder ser a mesma.
Não posso ser.
Aquela pessoa que morava dentro mim deixou um espaço vazio enorme quando, durante a noite, sorrateiramente, resolveu partir. Esse espaço estava incomodando. Casa vazia, mente vazia.
E, então, a felicidade da chuva ocupou o espaço vazio.
E eu senti o cheiro de boas novas. Eu senti o vento invadir a casa daqui de dentro.
E, então, choveu.
Edit: Sirius na porta da minha sala.
Ele observa a chuva. Adora ver água em movimento.
Eu adoro vê-lo assim!

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