quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

"Primeiramente, o coração..."

Reza a lenda que, toda vez que quebramos uma regra, vem um cara com um machado dá uma chacoalhada na Terra. Você me disse que não queria homenagens. mas ontem, na estrada a caminha da Capital Paranaense, recebi o aviso pra me segurar na poltrona....
Dizer que você é importante já virou clichê, é fato. E dizer também que me salvou e salva a lavoura também não é novidade. Entretanto, são verdades que jamais desaparecerão do livro dos nossos dias.

O Jeferson que eu conheci já se vestiu de vários deles. Já foi fervoroso na fé. Já deixou a fé fervorosa e cega de lado. Já foi cego de amor, já fechou os olhos pra não ver o amor indo embora. Já abriu os olhos pra recebê-lo de braços abertos e roupa nova. Já trabalhou com gás, chocolate, monitoria. Já tomou café da manhã, já almoçou e jantou comigo algumas vezes. E já jurou (e jura) pra si mesmo que não vai mais comer glúten. E já detestou (e detesta) a coca cola. E adora tapioca, o que já faz dele alguém muito mais interessante! E já chorou.....por amor de filho, por amor de pai, por amor de amigo....e ainda chora porque seu coração é grande demais pra sentir bem pouco...

Esse Jeferson é, alem de amigo, um pai sensacional! E os pequenos são a semelhança dele! Cada gesto da Clara, cada olhar do Luiz Miguel me lembra você! E é uma sensação indescritível encontrar parte de você nos dois!

O mesmo Jeferson é meu amigo incondicional! Mas incondicional daqueles que, até debaixo d'agua, sob forte tempestade me apoiou todos os dias, independente se daria certo ou não. Independente se eu quebraria a cara ou sairia ilesa....é, nunca foi sem dor. Ledo engano pensar que um dia será sem dor. Mas esse mesmo Jeferson já me deu a mão várias vezes pra eu poder suportar.....e isso, meu amigo, eu encontrei em raros....em Curingas, apenas.

Desejo a você toda felicidade que possa caber em uma vida! E que você aprenda a ver cada vez mais apenas o que e necessário pra ti, com a doçura de sempre, com a leveza de todos os dias! E que o seu amor ao destino seja duradouro, porque só ele sabe o que será da gente. E que você seja o cara do sim! Independente da situação....que seja o seu sim pra vida!
Amor definiu! Amor define! Amor definirá!

Primeiramente, que seja com o coração!

Feliz Aniversário!

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Difícil mesmo é ser...

Eu ando deixando ir....
Deixo tudo que não me pertence ir embora, porque,  na verdade,  estou na vida só de passagem,  e nada é me dado pra sempre. Vivo de empréstimos que a natureza me deu,  que o universo me deu, que a vida me deu.
Ando me deixando ir também.  Porque não sou dona do meu destino. Quando criança,  pensava que meu destino era chegar aos vinte pra poder ser dona do meu nariz.  Depois dos dezesseis,  e até os vinte,  deixei meu destino nas mãos da religião,  achando que teria uma suposta salvação,  uma família tradicional,  uma "cristura" que pensava ser o correto. Não era.

"Tudo que já fiz foi por vaidade..." (Renato Russo)

Hoje, à beira de completar 32 primaveras,  vejo que nada é tão simples.  A minha simplicidade não pode ser senso comum,  e eu nem quero que seja. Não se pode impor um padrão de vida pra outrem. Na verdade, essa ditadura do corpo,  da música,  de frases, sentimentos,  de família é cruel. Você não pode obrigar a ser, a estar, a amar. Não se pode prender os pássaros,  muito menos a vida de alguém.
Não quero ser padrão,  nem tampouco me encaixar em padrões da mídia,  dos amigos,  da família.  Amo meus amigos e aqueles que me cercam da forma que são,  sem tirar nem por.  E nem preciso falar que exijo o mesmo de todos. Mas, não é tão simples assim...
Acordo todos os dias e faço preces pra todos que amo. Independente da forma de amor,  eu faço.  Mas, eu peço também pra que o universo leve, de forma leve,  tudo que precisa ser levado, no tempo que precisa ser levado. Dizer que não tenho medo de perder seria um engano muito comum,  seria uma afirmação absurda. Já perdi vidas, resgatei algumas, perdi novamente,  resgatei mais uma vez, e sei qual é a dor da perda. Acontece que hoje eu entendo que nada é meu. Nem amor, nem amigos, nem família. É mais difícil não entender a perda que assumir a validade das coisas. Hoje, tudo que vale a pena me atrai. E eu me entrego pra amizades,  pra amores platônicos,  pra amores possíveis,  pra família,  porque sei que, sem eles, a vida nem teria tanta graça assim...
Mas...todos são livres pra perambular.
E eu sou livre pra ser simples, ainda que seja  difícil ser...

"Quando o sol acena parte em mim/ diz valer a pena ser assim/ que, no fundo,  é simples ser feliz/ difícil é ser tão simples... (Anitelli)

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

De quinta

Um café de quinta
Um poema de quinta
Uma frase de quinta
De quinta em quinta a vida passa

Toda quinta é lembrança das besteiras da semana. Das risadas da semana. Toda quinta é dia de silêncio. ..tem sido assim durante o ano, e eu espero que dure mais de um ano esse despertar de quinta.

Aprendi a fazer companhia pra mim em uma dessas quintas. A gente não pode contar com presenças constantes. É de ausência que somos feitos. É da solidão que vem a inspiração.  Aprendi de quinta que o sol bate na janela do lado esquerda da cafeteira as 11h. Procuro me sentar ali.  Vitamina D e café de quinta são bem vindos.
Aprendi de quinta que a melhor companhia pra quinta é a minha. E que não importa o tempo lá fora...da cafeteira só dá pra ouvir a minha voz de quinta. Só dá pra sentir o sol. E meu corpo só sente o sol.

Meus olhos de quinta
Observam com clareza
Meus ouvidos de quinta
Ouvem a mais nobre melodia do silêncio
Silêncio é ouro
Aluvião de quinta.

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

"Longe da felicidade de todas as suas luzes.."

A contradição já começa pelo título. Guardei essa frase porque andava ensaiando pra escrever algo onde ela caberia perfeitamente.  Entretanto, acho que hoje (ou pra sempre,  ou até o próximo mês,  quem sabe?) não preciso disso pra viver. Aliás,  viver tem me parecido bem diferente de todo sentimento que guardo dentro de mim faz dias...longos dias...aproveitei então o título pra falar daquilo que a gente não quer mais...
Hoje,  sagrada quinta feira,  cortei o cabelo. Eis a segunda contradição,  porque no mês retrasado eu disse, com propriedade, ao cabeleireiro: "olha, não corte muito por favor. Agora eu quero ele cumprido. " Ao entrar no salão, ele riu e disse, sem tom de surpresa e com uma certa leveza: "ainda bem que vc sempre muda de ideia. .."
Isso foi tão avassalador dentro de mim...que nem sei dizer, viu?
Bem cedo,  todos os dias, um Curinga me faz companhia.  Nunca foi combinado. A gente só se encontra. E fala de tudo...principalmente do Universo,  o Universo que há em nós.
Hoje falamos também sobre desapego.  A terceira contradição,  porque nós dois temos peças platônicas de um quebra cabeça que nunca, em hipótese nenhuma, sairá do plano das ideias. ..(será?) Platão,  por favor, pode responder?
Mas ele, o Curinga, está desapegado. ..e isso eu acho muito válido. Mas, mesmo assim, deixa um pequeno vazio...o que vai ser de nós agora?
Tanta coisa que passa....

Sobre o cabelo,  tô bem com ele! Resolvi aceitar a mistura linda dos meus pais e deixa-lo como sempre mereceu ser...tô me sentindo muito bem sem o peso dele nas costas.
Sobre o desapego,  o Curinga me mostrou a leveza de "aprender vc sem se prender comigo. ..". Isso já vale por uma eternidade e meia.
Sobre a contradição do título. ..bem, não sei se é pra sempre. Mas, o que é a eternidade perto de uma Super Lua?  De uma Supernova? De Super encontros?  De Super desencontros?
Por fim,  não deixo o texto de hoje à mercê do acaso...ao "sei que vc não vai ler...". Quis desapegar, pelo menos por hora, de tudo que pode vir a ajudar a montar o fatídico quebra cabeça da vida.
Hoje eu não dedico. Quem dedica espera, mesmo sem querer, alguma coisa.
Eu não espero. Pelo menos hoje não.

sábado, 20 de junho de 2015

Esperança no estômago

Para dores de cabeça uma dose de droga controlada.  A gente encontra esperança em cada lugar...
Para que essa dor passe é necessário,  as vezes, trair o estômago.  Aí a preocupação deixa de ser a cabeça e passa a ser o estômago,  que aceita toda sorte de coisas só pra ver a cabeça não fundir,  não parar,  só pra não vê-la sofrer. Talvez seja carma do estômago,  daqueles escrito nas estrelas. Talvez sua função social no mundo seja acolher pra não causa dor ao outro, pra depois sentir o peso de ser Abraço, de ser cura, de ser casa. Há esperança em paracetamol,  omeprazol,  benegripe.
Há esperança também em ser casa, em ser abrigo,  em ser colo. 
Algumas pessoas são como o estômago (que me perdoem os amantes de boa e velha poesia original...mas hoje toda analogia se reflete no estômago,  mais especificamente no meu estômago. 
E é de estômago que a prosa hoje é feita. ..),

Essas pessoas tem a função de acolher corações despedaçados,  pulmões em crise,  braços e pernas cansados da carga do dia, oferecendo casa pro remédio que se escolheu tomar, pras escolhas, caminhos, decisões tomadas no susto ou pensadas com cautela. Essas pessoas tem em si o dom natural de espalhar a esperança por aí, por aqui e acolá. Elas mesmas oferecem o antídoto a toda idiotice do mundo, a toda crueldade das pessoas, a toda falta de amor. Aí,  quando a visita sai, quando a janela fecha,  quando a conversa acaba, é hora de ver refletida em si mesma toda dor do outro. E também é hora de sofrer,  sem que ninguém lhe ofereça um paracetamol. ..

Pessoas que se parecem com estômago são curingas soltos no grande jogo de baralho. A esperança que um Curinga oferece é como a luz do sol em dia frio,  que aquece,  que oferece vitamina C,  que acalma nossa loucura.
Pra onde o sol vai quando já cumpriu sua missão com a gente? Acho que vai pensar em tudo que recebeu,  em toda troca de energia.

Sol é Curinga. 
Estômago é Curinga. 
Esperança é Curinga.

E a cabeça?  A cabeça é o que precisa de esperança,  de paracetamol,  de vitamina C e de amigos pra ser tudo isso junto.

Que sorte a minha! Há esperança!

quinta-feira, 18 de junho de 2015

"...vem ver o sol..."

Ofereci uma xícara de café a mim mesma hoje. Tem feito tanto frio que as vezes penso em café na veia.  Essa semana, pela primeira vez, vi o pouco de azul que resta em São Paulo.  Tem feito tanto cinza que as vezes custo a acreditar que há outras cores por aí.  De frio em frio, de cinza em cinza a gente vai ficando cada vez mais alheio ao mundo...

Não.  Não quero isso.

Por sorte,  no meu dia de "pausa pra viver", o café é generoso, o céu mudou de cor, a inspiração resolveu aparecer. E a minha companhia é o que me resta. Não digo isso com pesar. Pelo contrário. Precisava estar comigo fora da rotina.
Poderia divagar sobre a rotina....mas já fiz isso tantas vezes que chega a beirar o clichê dos dias.

Repetições me irritam. 

Para respeitar a minha pausa,  vou falar de cores.
As pessoas têm cores. E isso não é papo de hinduista.  Pessoas coloridas são legais,  tem uma energia bacana. Mas, quem vive o cinza de todos os dias é mais interessante.  Não tem pudores,  não inventam alegrias. São cruas, assim como viver é cru.  É primitivo.  É sem rodeios.
Gosto de pessoas que reclamam do cinza, que falam de pecados, desejos loucos,  que sofrem em carne viva.  Vermelha. Sem dó.
"Perfeição demais me agita os instintos. ..".

Não é que eu não goste de céu cinza. Eu gosto. Mas a fotossíntese,  pra mim, é mais que necessária.  Coisa de melanina e vitamina C....

Conversa vai,  conversa vem, essa semana um Curinga me disse que "há beleza no céu cinzento. "
Confesso que, até então,  só pensava no cinza das pessoas. Mas, ao acreditar em suas sábias e lendárias palavras,  pude constatar o óbvio: a  ausência do colorido tem lá sua beleza. Me leva a acreditar. Me leva a esperar o sol.

Pessoas cinzas também se encaixam nessa questão.  Me dão o chão pra poder tentar alcançar o céu.

Ando cinza. Ando com o pé no chão,  ando na tentativa do salto da cama elástica.  Mas tenho fé: no sol, no céu,  no café,  no azul. "Tenho fé na força do silêncio" que há em mim, no que eu não digo, no que eu finjo não sentir,  na dor que as vezes dói doída.  Na espera.

O café acabou e acabou também minha breve estadia na cafeteria.  Vou sair agora ver o sol, fazer fotossíntese,  ver o azul...
É nesse momento que o cinza e o azul se encontram, se atraem, se misturam. E os dois ficam com pouco de cada um....dilui-se a dor,  esquenta o corpo, esfria a cabeça.

sábado, 30 de maio de 2015

...e vinte nove anjos me saudaram...

Era manhã de terça ou quinta (o pescador que me contou esse conto não se lembrava muito bem...). Ela estava em uma cidade estranha, numa escola estranha, com pessoas pseudo burguesas e felizes com seus salários de 5 mil dilmas, fruto da elevação de casinhas por conta da idade avançada,  em busca de uma educação que não existia. ..ou conformadas com a calmaria que, segundo a lenda,  "há de deixar a tripulação,  hora ou outra,  nervosa..."
Já não dava mais conta do mesmo papo....Não haveria ali, naquele lugar,  no princípio do inverno sorocabês,  nenhuma pessoa que se assemelhasse com os Curingas da sua vida. E também já não tinha esperanças de encontrar, no meio daquele baralho previsível,  a carta que mudaria suas manhãs frias...o Curinga pra ela se sentir em casa novamente.  Estava morando com um dos Curingas da sua vida, mas a carta não poderia acompanhá-la na escola...Então passava as manhas rezando a Zeus pra que o dia voasse, e ela voltasse pra quem a entendia de verdade.
Entretanto,  aquela manhã foi diferente. ..
Do outro canto da mesa avistou o que parecia ser um personagem de quadrinhos. O all star rasgado,  o jeans surrado,  a camisa de caveira roxa...teve simpatia por ele desde o começo.  Mas, como não o conhecia...pensou "vou fumar. .." e foi.
Entretanto,  para a sua surpresa,  lá estava a figura,  subindo a escadaria e perguntando "posso te fazer companhia? ". E ela aceitou. ..e ele, até as luas de hoje, faz companhia a ela, mesmo de longe,  mesmo nem sempre. Mas, ela o carrega como um amuleto...e ele, pra ela, completou as peças do baralho juntando-se aos Curingas de sua vida."

Ouvi esse conto é lembrei de vc...

Tenho quatro Curingas na minha vida (além da minha mãe,  que entra na categoria de Curinga Power).
A Cinthia ( ela sabe todos os motivos de ser Curinga na minha vida).
O Jé ( que também sabe de cor e salteado o motivo da minha vida não ser sem ele).
A Cris ( e o motivo todos sabem...♡).
E Vc. ...Flávio!  Sem vcs a minha vida seria deserta...sem vcs nem teria razão de ser...
Hoje,  como vc faz mais uma lua, achei pertinente te contar que Vc me salvou de várias formas...

De uma cidade chata, de pessoas previsíveis,  de cafés de cigarros solitários,  de tarde de tristeza pela saudade da família,  de falta de olhares, Abraços,  carinhos. ..daqueles que só vc sabe oferecer aos seus amigos!
E eu gostaria de agradecer por tudo isso....e por tudo que sabemos,  tudo que vivemos e ainda vamos viver...!
É um prazer ter vc como amigo! É um prazer encontrar mais um Curinga pro me jogo breve de cartas!

Essa história ainda não teve fim.
Que bom!  Seria um infortúnio viver sem sonhar. ..!

quinta-feira, 28 de maio de 2015

Quanta chuva cabe numa quinta?

Chove copiosamente. Talvez pra lavar a alma da cidade, ou pra lembrar que o fim de semana está chegando, junto com a previsão do tempo e a lei de Murphy,  pra me lembrar que serão dois dias difíceis. Com chuva, umidade, frio, desconforto. Estou esperando no consultório ,  na minha eterna "odisséia dental". Dessa vez o procedimento exige dois dias de repouso. Dois dias para ficar em casa, dar um pause na correria,  ficar um pouco sozinha,  longe do mundo. Dois dias pra pensar. Dois dias com chuva, além dos outros dois também na companhia dela. Não é nada sério, ou muito sério.  Mas exige cuidado e zelo...e desacelerar.

O fato é que estou aqui pra falar da chuva na quinta feira. Não sei porque ainda escolhi esse título,  ele só apareceu e eu comecei a escrever. O fato é que também não sei porque escrever. ...de fato, o faço por impulso. Apenas.

Toda vez que chove a gente deve chover por dentro também.  Ainda mais se for na quinta. Ainda mais se estiver no consultório.  Super bactérias não esperam o momento certo de agir.  Talvez sejam como a chuva. Ou talvez estejam dentro de um plano maior do mágico que jogou os dados e esperou,  solitário,  o resultado. Toda gota de chuva deve ser, em minha opinião,  solitária demais...andar em bando nem sempre representa estar junto. Cair junto pode ser cair só.

Acho que toda quinta feira tem cara de chuva.  E falo sério sobre isso. Sempre espero  chover de quinta.  As vezes acontece como hj...outras vezes eu só espero. ..

"Devaneios de quinta"...esse deveria ser o título da postagem...

Entre remédios,  chuva de quinta, super bactérias,  mágicos e cartola deve haver alguma outra coisa. Devo estar no meio dessa outra coisa.

domingo, 24 de maio de 2015

O que é que há?


Estava precisando um momento sozinha. Ando por aí, nesse vai e vem frenético que até esqueço de "ouvir as teclas do meu piano..". Ele tem tocado cada dia uma canção diferente,  decerto pra me lembrar onde eu deveria estar,  ou melhor, onde eu não deveria estar.
Achei propício então hoje pegar o chimarrão,  chamar a Andréa e perguntar "o que é que há nesse planetinha? "

Essa semana fiquei surpresa ao perceber como o meu cabelo cresceu. Está cumprido.  Vivo como nunca. É o descuido as vezes que diz "alô", não o acaso. Essa semana também fiquei rouca,  resultado de uma gripe rude que assolou a crosta terrestre do meu planetinha.  Essa semana fui fazer acupuntura,  pois percebi que o estresse do cotidiano resolve se alojar no meu trapézio (e nem sabia que a região do ombro recebeu um dia, não sei porque cargas  d'água,  esse nome). Essa semana recebi palavras de conforto,  e ofereci também as mesmas, retribuindo de forma pequena o que o Universo me oferece de maneira grandiosa. Fui o que podia ser. Acho que Ele entende....
Essa semana percebi, através de pastagens de amigos, o quanto não dou a mínima pra certas coisas,  o quanto deveria me importar com outras coisas, quanta coisa que me importo sem merecer.
Essa semana encontrei velhos desconhecidos na grande rede da Internet. Gente que um dia passou, não ficou e agora reaparece para prosear nas manhãs a caminho do trabalho. "Alice,  Vc sabe para onde vai?"

Essa semana redescobri o amor... (confesso que com a mesma surpresa quando vi meu cabelo cumprido) e tive a certeza de que ele está ali porque eu não saberia me virar sozinha nesses tempos de agrura. E agradeci...

As coisas acontecem numa fração de segundos no meu planetinha, que gira como se rotação não representasse dia e noite, como quando a gente "junta tudo numa coisa só. "
Apesar dos tantos acontecimentos,  só parei hoje pra ouvir as teclas do meu piano, mas hoje já é o que ontem eu chamei de 'semana que vem'.
Sinto muito por não me perceber antes...a gente só dá importância pro que, nem de longe, merece ser mencionado.
O que merece ser sentido me surpreendo depois como com o cabelo, sem acompanhar seu  crescimento dia a dia.
O que é que há no meu planetinha?  Há coisas,  mazelas,  pessoas, raiva passageira, choro, risos, frases feitas,  atitudes previsíveis. ...só falta ouvir a mim...e perceber que cabelo, amor, músicas de piano e tudo que realmente importa sempre esteve aqui, a espera de atenção.

sábado, 17 de janeiro de 2015

Da Estrada

Toda viagem vale uma vida inteira.  Por motivos óbvios; por aqueles na entrelinhas.  Eu gosto da estrada. "Melhor o caminho do que a chegada", disse-me certa vez um livro em uma de nossas longas conversas. Gosto de sentar na janela e prestar atenção em tudo lá fora. A gente só presta atenção nas coisas quando não estão ao nosso alcance.  E a estrada fica muito mais bonita quando a gente presta atenção.
Lembrei de um conto curto, daqueles que a gente nunca sabe de onde veio, daquelas "histórias que nos contam na cama antes da gente dormir":

"Ela queria viajar. E queria também ver o mar. Na primeira quinzena de Janeiro tudo ainda está em festa. Ainda tem espólios de peru e panetone na geladeira, ainda tem propaganda de natal, papai noel, felicidade,  carro do sorteio espalhados pela cidade. Mas ela não queria mais nada disso. Queria sair da frequência ...
Descendo a serra, quase nas "curvas da estrada de Santos", mas sem Roberto Carlos, ela ganhou um presente surreal
-"vc quer parar pra tirar fotos,  amor?"
- "Eu posso? ? Lógico que quero!"
E pararam no acostamento,  contrariando as leias, moral e bons costumes que ela jurou ter deixado na cidade grande, pelo menos por quatro ou cinco dias.
A sensação foi única.  Uma mistura de verde, luz, concreto,  movimento, vento, silêncio.
Contemplou aquele momento como se nada mais importasse.  Registrou também aquela passagem. Não pra mostrar pros outros,  mas pra mostrar pra ela mesma quando a sufocante quase parar seu coração.  Pra lembrar da liberdade,  do silêncio,  da contemplação. "

Cada um vê a estrada como um espelho. E ela mostra aquilo que queremos, o que não queremos,  o que somos.
Eu gosto de viajar. Gosto de estradas,  concreto,  verde, movimento.
Mas também gosto do silêncio que vem com a estrada.
  "Outra viagem, outro destino,  outra estrada. Pra onde vai?  Ninguém sabe. Nem ela sabe. Talvez não queira chegar em nenhum lugar. Ela está em busca do silêncio.  E isso basta pra uma vida inteira. "