sábado, 8 de outubro de 2016

Feira na sexta feira

Precisamos falar de São Paulo.

Nota de esclarecimento -

Três anos aqui - como não fiz isso antes? Talvez nunca tenha me rendido à grandeza dessa cidade. Na véspera da partida - outra mudança,  velha /nova Londrina - tudo aqui parece maior, mais colorido, mais cinza, mais intenso, mais cheio de vida. E agora, pra mim, tornou-se urgente e preciso escrever sobre a "cidade do mundo inteiro." A "cidade do fim do mundo."
Cheguei aqui como Caetano - "quando aqui eu cheguei, eu nada entendi.."
Agora deu pra sacar um pouco do que essa metrópole gigante representa pro mundo, pro Brasil, o que representa pra mim...
E, por falar em representação, a proposta é a seguinte: escrever sobre os lugares que significam pra mim ; lugares que ressignificaram algumas coisas em minha vida; aqueles lugares (talvez) fora do trecho turístico.
É uma maneira de entender e eternizar.
"Alguma coisa acontece no meu coração...." (Caetano)

Muito que bem!

Vamos falar sobre feiras.

Paulista tem uma relação interessante com as feiras. A cidade do moderno se confunde com a tradição das feiras. Em cada bairro tem um dia que é da feira.
Como boa Paranaense, tenho fascínio por feiras. Não que seja uma característica de paranaense...trago esse gosto na vida por causa da minha vó e nossas idas à feira de segunda da Vila Casoni. Londrina também gosta de feira.

No bairro onde moro tem feira na sexta. Confesso que fico esperando a sexta chegar pra ir à feira.
O bairro é antigo, de gente antiga com casas modernas, de ruas boas pra correr, de mercados imensamente caros e gourmets.
Mas ainda é um bairro bom.
As ruas pra corrida e a feira são,  pra mim, encantadoras!

A feira é caminho da corrida. Na volta, entro nela. O primeiro cheiro que vem é o de pastel. E a galera em volta da barraca tem sacolas na mão - frutas, verduras, peixes, DVDs, coisas de maquiagens e utensílios domésticos. Mas tem também quem saia de sua casa na sexta apenas pra comer pastel de café da manhã ou almoço. Confesso que, as vezes, pertenço à esse segundo grupo. O cheiro de óleo queimado parece atrair a todos que por ali passam.

Logo depois do pastel, vem as 3 barracas que vendem banana. Juro que ainda não entendi a relação do Paulista com a banana e com a carambola. Parece paixão ancestral.
Tudo tem banana. Desde a torta, passando pela pizza e pelo pastel. Além de pratos de almoço e jantar com banana. Sem contar os enfeites de casa com motivos de banana. Não sei, mas o amarelo deve significar muito pro Paulista. Uma das maiores linhas do transporte público é  amarela. E os terminais de integração das linhas,  advinha? Amarelo! Há beleza no amarelo!

Seguindo as curvas da rua que serpenteia, encontro barracas de frutas e verduras diversas, intercaladas entre o comércio de temperos, laços de cabelo, filmes que, segundo o vendedor, "nem saíram no cinema!", utensílios de casa e papelaria. Sim, papelaria! Por que não?

E os cheiros de laranja, manga,  alho, orégano dançam nas curvas da rua. E embriagam todos os sentidos. A feira é intensidade. Cor. Luz do sol. Cheiro forte.
Tudo isso mistura-se com a curiosidade, com o toque, com o gosto.

Chegando no fim da feira, tem a barraca do peixe. Mas não vende só peixe. Tem focinho de porco, por exemplo,  caso o cliente queira fazer uma feijoada. Não sou fã nem do porco e nem da feijoada, mas é interessante ver as senhoras escolhendo que focinho é melhor.
Nessa parte da feira, o final, meus sentidos já enlouqueceram com todos os cheiros. E o cheiro do peixe não é lá tão agradável pra mim...

No caminho de volta, sempre penso no sentido da feira pra mim. Deve haver alguma coisa ali que me faz feliz. Deve haver também muita coisa em cada feira, em cada bairro, que ainda mantém o Paulista ali, toda semana, todo dia.

Todo mundo deveria, uma vez na vida, visitar uma feira em São Paulo.
Entre cheiros, amarelos e colheres s pau, a vida acontece na feira.
No meu caso, toda sexta feira é de feira.

Preciso falar mais sobre São Paulo...