quinta-feira, 4 de abril de 2019

O que é não

Não entendi a mensagem na garrafa
Tampouco compreendi sua jornada
Até mim. Até aqui
Não sei a que veio
Nem fiz por onde para entender
Tenho agora uma garrafa e um oceano
De dúvida e desordem

O apego ao objeto é fuga
Fugi dos teus braços
Enrosquei no seu caos
Do laço fiz nó
De nós, quis cais
De mim, busquei liberdade
De ti, a contradição
Garrafa, oceano, dúvida

Não fiz por onde
Nem entendi
Nem quis cais
Nem a ti

Contradição

domingo, 31 de março de 2019

Reconstrução

Fiquei só com as minhas palavras.
Fiquei só.
Andei só. Ando só.
Com o abandono de um Frankenstein
Com a solidão do Prometeu Moderno
Com a consciência viva e crua de Shelley

Procurei pedaços que ainda havia
Resultado de uma desconstrução daqui de dentro
Agarrei-me aquilo que faz sentido
E o sentido é a solidão
É o abandono de mim
Abandonei-me na desconstrução

Ando a costurar pedaços que ainda sobram
Com a agulha cruel da realidade
Com a linha tênue do amor próprio
No rastreio da minha figura
A negação do Monstro
A fabricação da realidade
O alinhavar do reencontro

Esperei por mim. Talvez dias. Talvez anos
Na esperança da reconstrução
Linha, agulha, fragmentos
Me despeço agora do Monstro
Crio aqui o eu em pedaços.