sexta-feira, 16 de novembro de 2018

Espera

Já decorei os teus sinais

E sei também dos teus motivos 
São as entrelinhas que desconheço  
E elas incomodam
Como areia nos olhos em dia de praia
Eu, continente. Tu, insular

Os caminhos que levam não são os mesmos

Mas nos encontramos na embarcação 

Na tela que une. No busão que atrasa

Na chave do encontro improvisado 
Nas terras distantes. Mares profundos 
Cores, imagens, gostos

Encontramo-nos aqui

Eu, na terra. Tu, na ilha
Eu, sintonia do teu reflexo
Tu, produto perfeito do cálculo improvável 


No nós, a espera por sinais

Sina desconexa 

Realidade virtual ampliada
Que faz eco no baú dos sonhos 

Aqui, o longe

Aí, o toque 
Logo, a matemática do encontro
Agora, a poesia da espera 


terça-feira, 31 de julho de 2018

Caleidoscópio

Da luz que vem dos olhos
O reflexo de um espelho inclinado que sou
Aceito o movimento das sombras coloridas 
O efeito perturbador das várias variáveis 
Desse caleidoscópio que é você

Danço nas entrelinhas das palavras
Danço na luz invertida que chega até meu olhos
Minhas torres de vigia não sabem se é farol ou se reflexo de uma Supernova distante

No horizonte do seu Universo vivo, em expansão
Tudo que sai daí é movimento aqui
Amplificado, transitório, colonizador 
Dominou o espaço nativo 
Fez do que há aqui parte do que sai daí 

Caleidoscópio de formas heterogêneas 
Regido por astros
Guiado pela numerologia do Universo 
Que fez do espelho que há em mim
Reflexo de luzes dissonantes
De acordes distorcidos
De sombras dançantes 

Brotou um Universo alado nesse céu de Ícaro 
Brotou toques. Sentiu a pele. Fez sentir 
E o meu querer das luzes, da dança, das flores, do toque
Se eterniza aqui. Nessas linhas. Nessa Lua
Nesse Universo. Nessa vida.