Fiquei só com as minhas palavras.
Fiquei só.
Andei só. Ando só.
Com o abandono de um Frankenstein
Com a solidão do Prometeu Moderno
Com a consciência viva e crua de Shelley
Procurei pedaços que ainda havia
Resultado de uma desconstrução daqui de dentro
Agarrei-me aquilo que faz sentido
E o sentido é a solidão
É o abandono de mim
Abandonei-me na desconstrução
Ando a costurar pedaços que ainda sobram
Com a agulha cruel da realidade
Com a linha tênue do amor próprio
No rastreio da minha figura
A negação do Monstro
A fabricação da realidade
O alinhavar do reencontro
Esperei por mim. Talvez dias. Talvez anos
Na esperança da reconstrução
Linha, agulha, fragmentos
Me despeço agora do Monstro
Crio aqui o eu em pedaços.
Busquei palavras inéditas pra postar aqui, mas teus versos me lembraram de um sentimento que trago desde 2017, no meu primeiro inverno na Inglaterra (quando descobri a dor lancinante de ter sol apenas 6h por dia). Então deixo uma resposta poética daqueles dias, mas que cabem até hoje:
ResponderExcluirQuis um verso em sol,
mas o dia escureceu sem dó.
É inverno no hemisfério norte,
é longa a noite do poeta só.
Quis um soneto quente,
que, na garganta, derretesse o nó.
Mas, hoje, não há rima forte,
no horizonte, há vento e pó.
Meus dias, inconstantes, seguem:
ora sou força, ora sou forca,
e a solidão é o meu divã.
Não há compasso ritmando os versos:
perdi o sol, mas esta pausa
encontra em si um novo afã.
Belas palavras, Curinga! Na poesia e na dor.
Suas palavras completaram as lacunas que havia nesses versos de solidão!
ExcluirReviver os escritos desse blog é reativar as memórias mais doces e rudes dessa minha dança com a vida, e é uma honra ter um poema seu nessa reflexão sobre a fuga para a solidão.
Solidão a dois. Solidão de um Clã de três!
Gratidão por compartilhar vida e poesia!❤
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