Eu ando deixando ir....
Deixo tudo que não me pertence ir embora, porque, na verdade, estou na vida só de passagem, e nada é me dado pra sempre. Vivo de empréstimos que a natureza me deu, que o universo me deu, que a vida me deu.
Ando me deixando ir também. Porque não sou dona do meu destino. Quando criança, pensava que meu destino era chegar aos vinte pra poder ser dona do meu nariz. Depois dos dezesseis, e até os vinte, deixei meu destino nas mãos da religião, achando que teria uma suposta salvação, uma família tradicional, uma "cristura" que pensava ser o correto. Não era.
"Tudo que já fiz foi por vaidade..." (Renato Russo)
Hoje, à beira de completar 32 primaveras, vejo que nada é tão simples. A minha simplicidade não pode ser senso comum, e eu nem quero que seja. Não se pode impor um padrão de vida pra outrem. Na verdade, essa ditadura do corpo, da música, de frases, sentimentos, de família é cruel. Você não pode obrigar a ser, a estar, a amar. Não se pode prender os pássaros, muito menos a vida de alguém.
Não quero ser padrão, nem tampouco me encaixar em padrões da mídia, dos amigos, da família. Amo meus amigos e aqueles que me cercam da forma que são, sem tirar nem por. E nem preciso falar que exijo o mesmo de todos. Mas, não é tão simples assim...
Acordo todos os dias e faço preces pra todos que amo. Independente da forma de amor, eu faço. Mas, eu peço também pra que o universo leve, de forma leve, tudo que precisa ser levado, no tempo que precisa ser levado. Dizer que não tenho medo de perder seria um engano muito comum, seria uma afirmação absurda. Já perdi vidas, resgatei algumas, perdi novamente, resgatei mais uma vez, e sei qual é a dor da perda. Acontece que hoje eu entendo que nada é meu. Nem amor, nem amigos, nem família. É mais difícil não entender a perda que assumir a validade das coisas. Hoje, tudo que vale a pena me atrai. E eu me entrego pra amizades, pra amores platônicos, pra amores possíveis, pra família, porque sei que, sem eles, a vida nem teria tanta graça assim...
Mas...todos são livres pra perambular.
E eu sou livre pra ser simples, ainda que seja difícil ser...
"Quando o sol acena parte em mim/ diz valer a pena ser assim/ que, no fundo, é simples ser feliz/ difícil é ser tão simples... (Anitelli)
... Ela começou a enxergar os primeiros raios do sol. Ela não sabia que o sol era tão belo, que o vento no rosto tinha tanta leveza, que o cheiro das coisas era tão docilmente agradável. Ela sempre aprendeu que os raios do sol, o vento no rosto, o cheiro das coisas era algo monstruosamente perigoso. Desse pensamento Ela se libertou...
ResponderExcluirEla aprendeu o que é leveza, o que é uma amizade leve, uma vida leve, uma religião leve, um mundo leve....